Friday, November 10, 2006

REVISTA "TIME" ELEGE YOUTUBE A MELHOR INVENÇÃO DO ANO

Página foi criada em fevereiro de 2005, mas nos últimos 12 meses ganhou força transformando anônimos em celebridades

A revista norte-americana “Time” elaborou uma lista com as melhores invenções do ano em diversas categorias, como internet, residências, medicina, brinquedos e roupas. Apesar de as áreas serem bastante diferentes, a publicação afirma que “o site de vídeos YouTube liderou a lista” – isso porque, entre outros motivos, transformou diversos anônimos em famosos nos últimos 12 meses.
“Nesse período, muitas pessoas ganharam fama. Os famosos passaram vergonha. Uma quantia imensa de dinheiro mudou de mãos. Uma grande quantidade de pastilhas Mentos foi jogada dentro de Diet Coke. As regras são diferentes agora e um site conseguiu mudá-las: o YouTube”, afirmou a revista. “O serviço criou uma nova forma para milhões de pessoas se entreterem, se educarem e se chocarem de uma maneira como nunca foi vista”, continuou. A página não foi criada há um ano, mas nos últimos 12 meses ganhou força. Ela surgiu em fevereiro de 2005, depois que Steve Chen, Chad Hurley e Jawed Karim perceberam como era difícil trocar vídeos com amigos na internet -- ao contrário do que acontecia com fotos. E então os jovens do Vale do Silício (Califórnia) criaram uma maneira fácil para disponibilizar esses arquivos na internet.
“Apesar de terem criado a página, eles não a entenderam no início. Eles acreditavam ter criado uma ferramenta útil para as pessoas mostrarem seus vídeos de viagem. Pensaram que as pessoas poderiam usar a página para divulgar itens leiloados no site eBay. Mas não tinham idéia de que criaram um portal para outra dimensão”, enfatiza a “Time”.
Conforme os internautas foram descobrindo o endereço, entenderam que lá poderiam colocar absolutamente todo tipo de conteúdo: o bêbado na festa, o projeto de ciência da escola, confidências e solos de guitarra, para citar alguns exemplos. Desta forma, os usuários do YouTube passaram a acessar cem milhões de vídeos por dia, além de alimentar o site diariamente com cerca de 70 mil novos arquivos. Da mesma forma que os blogs transformam internautas em jornalistas, o YouTube faz deles celebridades.
Por tudo isso, a “Time” acredita que a página conseguiu participar de três revoluções na internet. Primeiro, a transformação da produção de vídeos, possibilitada pela popularização das câmeras digitais (presentes em telefones celulares) e software de fácil uso. Segundo, a força que deu à chamada Web 2.0 – uma tendência definida pela maior participação dos internautas na produção de conteúdo on-line. Terceiro, pela revolução cultural que permite a qualquer pessoa do mundo divulgar na web, sem censura, o conteúdo que produziu.
A “Time” defende sua “invenção do ano” afirmando que não é como o site de músicas Napster, pois já negociou com gigantes do entretenimento para divulgar conteúdo protegido pelos direitos autorais. Fazem parte dessa lista a NBC, CBS, Universal Music, Sony BMG e Warner Music. Google
No mês passado, o site de buscas Google anunciou a compra do YouTube por US$ 1,65 bilhão. A transação envolveu apenas troca de ações, o que significa que não houve pagamento em dinheiro: o Google passou aos donos da página uma quantidade de ações que equivale ao valor da aquisição.
Essa foi a compra mais cara já feita pelo Google em seus oito anos de história. A gigante da internet aposta que sua nova página terá importante contribuição para os lucros, à medida que mais anunciantes e internautas migram da televisão para a internet.
Os 67 funcionários do YouTube -- que manterá sua sede em San Bruno, na Califórnia -- continuarão trabalhando na empresa. Entre eles estão Chad Hurley, 29, e Steve Chen, 27, fundadores do site. Jawed Karim, 27, nunca trabalhou na empresa. Logo depois do lançamento, ele entrou em acordo para não se tornar um empregado, mas apenas um consultor informal. Ele então ingressou na Universidade de Stanford, onde cursa ciência da computação. Karim também ficará com parte das ações do Google negociadas na aquisição, mas não há informações se ele receberá menos que seus parceiros.
Apesar de já ter seu próprio serviço de exibição de vídeos, o Google não conquistou nesta área a mesma popularidade do YouTube, que exibe cerca de 100 milhões de arquivos a cada dia. Segundo a empresa Hitwise, que monitora o tráfego na internet, o YouTube tem 46% de participação de mercado dos vídeos on-line, contra 23% do MySpace e 10% do Google Video

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